Protesto

Por: José Borges da Silva

Eu e os todos os que pertencem à minha comunidade andamos muito preocupados com as últimas notícias veiculadas na cidade. Nós, e os nossos serviços já fomos considerados imprescindíveis para a humanidade. Mas, com um novo modismo que vem se firmando nas sociedades modernas, apoiado até por ambientalistas de fachada, estamos nos sentindo discriminados da maneira mais grosseira que se possa imaginar. Estamos nos sentindo como se não existíssemos, como se fôssemos algo descartável, que nem mesmo se leva em conta no contexto da vida. A nossa atividade, o nosso meio de subsistência, embora considerado sujo por muitos, salvo alguns concorrentes hoje em franco declínio, sempre foram tidos como fundamentais para o planeta, para a tão propalada “sadia qualidade de vida”. No entanto, bastou que alguns interesseiros de plantão, com visão exclusivamente econômica, oferecessem uma alternativa aos nossos serviços e fomos esquecidos, desconsiderados vilipendiados. Nos últimos tempos temos enfrentado sérios problemas com o uso indiscriminado de pesticidas na agricultura e com a abusiva aplicação de hormônios e outros produtos na pecuária. Agora surgiu mais essa, buscando nos excluir de vez do sistema. Na verdade, já estamos acostumados com as discriminações generalizadas e gratuitas de todas as espécies. Ser considerados símbolo da morte ou de coisas macabras, sombrias, já não nos incomoda há muito tempo, embora o nosso meio de vida não dependa matar animais, o que não se pode dizer das atividades humanas...

Pra ser honesto, o que me deixou perplexo foi a adesão geral ao novo projeto do Município, principalmente dos ambientalistas e das associações de proteção dos animais da região. Confesso que fiquei boquiaberto com o nível de consciência desse pessoal, que não consegue distinguir sequer o que seja discriminação de raça, de espécie ou de cor. Pra mim não passam de fanfarrões que adoram bajular cãezinhos de colo, gatinhos de sofá, ou papagaios verde-amarelinhos, só porque são bonitinhos... Enfim, acho um lixo esse novo projeto em curso no Legislativo local, de se criar um cemitério para animais na cidade, e que vem contando com o apoio de toda a sociedade dita politicamente correta. Portanto, fica aqui o veemente protesto, meu e de todos os da minha espécie, contra essa irresponsável hipocrisia. Como é que esses senhores e mocinhas podem se declarar defensores dos animais se nem ao menos pensaram em nós, os urubus? Ass: Sarcoramphus papa mais conhecido como urubu-rei.

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