Protestos

Por: Chiachiri Filho

É bom protestar. É preciso protestar. O protesto é o grito sufocado de um povo oprimido, humilhado, enganado, desamparado. É um grito de dor, de desespero, de socorro.

Ah, como seria bom se não houvesse tarifas de água, energia elétrica, telefonia! Que bom seria se não houvesse impostos, taxas, tarifas, emolumentos, pedágios!

Se as bolsas-família concedidas pelo Governo Federal fossem suficientes para suprirem as necessidades do brasileiro carente, é bem provável que os movimentos populares pelo “passe livre” não teriam nenhum sentido. Mas, infelizmente, a bolsa mal dá para a alimentação do beneficiado.

Quem não sonha com um país rico, feliz, bem alimentado? É preciso sonhar e, às vezes, fugir da realidade, deixando de lado as misérias do dia a dia. Porém, quando o sonho transforma-se em utopia e o sonhador não volta mais à realidade, ele perde o senso das coisas para tornar-se um eterno descontente.

O Estado (União, Governo Estadual ou Municipal) não gera riquezas. Ele é um arrecadador. Um arrecadador voraz que redistribui o arrecadado com muita deficiência. O Estado não dá nada para ninguém. A luz do poste, o asfalto das ruas, a praça pública, a saúde, a educação, a segurança são custeados pelos impostos pagos pelo povo. Portanto, o “passe livre” pretendido pelos manifestantes tem de ser coberto por algum tributo municipal. São da competência do Município a cobrança de dois impostos fundamentais: o IPTU. e o ISSQN, isto é, o imposto e taxa sobre imóveis urbanos e o imposto sobre serviço de qualquer natureza. Por conseguinte, se o Governo Municipal resolver custear o preço das tarifas dos transportes coletivos, ele, necessariamente, deverá aumentar o IPTU e o ISS É o caso do cobertor curto: se cobrir a cabeça, os pés ficarão de fora e se...

Portanto, prezado leitor, os protestos que tomam conta das capitais brasileiras reivindicando o “passe livre” são impraticáveis. O correto seria exigir uma tarifa justa e a prestação de um serviço mais eficiente e confortável. O Município, frente a sua atual arrecadação, não tem condições de estatizar os transportes coletivos. E se estatizasse, os serviços, em pouco tempo, seriam mais ineficientes ainda e a “companheirada” teria mais um “cabidão” para se dependurar.

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