Acontece com qualquer um

Por: Aline Cabral

Ela estava insatisfeita com pequenos detalhes e se calou. Fingiu não ver o que a incomodava, pensou ser uma fase ruim. O tempo passou. A distância entre eles aumentou. Os compromissos sempre em primeiro lugar. A falta de tempo era a desculpa mais usada para justificar a ausência. Culpa de quem? Da modernidade? Dele? Dela? Não sei dizer. Só sei que o coração já estava aflito, muito aflito. Ela já não tinha forças para fazer mais nada. Estava cansada de lutar. Falar mais o quê? Sentimentos não podem ser cobrados como se fossem contas a pagar. Aonde foi parar aquele amor? Aonde será que se escondeu aquele homem por quem ela se apaixonara? E a euforia dos reencontros? A ansiedade pela chegada dele? A saudade estava doendo tanto que até lhe faltava o ar. Era uma saudade de momentos que se perderam no tempo. Fisicamente, ele estava ali, mas o olhar não a buscava mais com a mesma urgência de antes. A razão o fez cego. Ela se deixou levar pelas ocasiões e foi conivente com o comodismo. O amor? Este pede pausa para descanso. Preferiu esperar pela recuperação da morada: o coração. Os mortais tentam se reencontrar nesse caos. Lutam para desembaraçar os seus caminhos. Desistir? Jamais! Desistir de nós mesmos, do amor é o mesmo deixar de viver. Respire, levante o olhar e permita que a vida retire o véu que confunde sua alma.

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