Ela, absoluta

Por: Eny Miranda

Na muda solidão da noite,
Segue a caravela enfunada.
Parece feita de nácar
A refletir longínquos sóis.

Entre cósmicos olhares,
Atravessando espaço
E tempo,
Navega sobre o silêncio.

De meu porto,
Em longa espera,
Barco ancorado,
Sigo com ela.

Vultos de seres remotos
Emergem, no Oriente.
Viriam em busca de astros? Ostras?
Pérolas? Parolas? Estrelas?

De repente, uma brisa leve
Encrespa a pele desse mar.
Como banquisas, ilhas de espuma
Formam-se em torno da nau.

Mas ela prossegue, absoluta
- alumbrada imagem do Belo,
Farol difuso nas escuras águas
Do oceano estelar.

De meu porto,
Em longa espera,
Barco ancorado,
Sigo com ela.

Essa face nacarada,
Na linguagem da beleza
(Mais que na da astronomia),
É substantivo incomum.

E corporifica mil verbos
(e adjetivos e advérbios...),
Ancorados na poesia
Que silencia em mim.

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