Terroristas

Por: Chiachiri Filho

Quem diria, senhores! Quem diria que a guerrilheira Dilma Roussef iria, em algum lugar do futuro, acusar alguém de terrorista! Pois bem, ela o fez. Denunciou como terroristas aqueles que propalam pelos quatro cantos a volta da inflação. Não se refere a um terrorismo real, físico, destruidor. Não se trata de bombas colocadas em lugares estratégicos, de assaltos a bancos, de sequestro de embaixadores, de invasão de apartamentos para apoderarem-se do dinheiro da mala do Ademar. Trata-se, isto sim, de um terrorismo suave, moral, midiático: um alerta, uma preocupação pela volta da espiral inflacionária que tanto mal fez ao Brasil.

Nada como um dia após o outro. Uma coisa é a pobre Dilma , militante da esquerda radical, torturada nos porões do Doi-Codi, vivendo na clandestinidade e fugindo das forças opressoras. Outra coisa é a Presidenta da República, comodamente instalada no Palácio do Planalto, dirigente de uma grande Nação. Entre uma e outra Dilma houve uma significativa transformação. As coisas mudam e mudam rapidamente. A Presidenta não é a mesma guerrilheira. Sua visão das coisas e do processo político são muito diferentes. Perdeu a ingenuidade? Abandonou a utopia? O certo é que a sua ideologia não é a mesma, não atua na clandestinidade, não fabrica coquetéis Molotov, não ataca os militares, não pretende derrubar o governo. Agora ela é Chefe da Nação e Comandante - suprema das Forças Armadas. Ela é o Poder, o Governo, a defensora da ordem vigente.

E os terroristas? Os terroristas são aqueles que querem apeá-la do Poder. São os oposicionistas que, sem a responsabilidade da governança, propõem projetos ilusórios e irrealizáveis.

Foram-se os sonhos da jovem guerrilheira? Não. O fato incontestável é que o peso do poder nos ombros do chefe faz com que os seus pés fiquem bem enterrados na terra firme.

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