Marilu

Por: Jorge Félix Donadelli

Não sei o que era moldura,
Nem sei o quê: obra prima...
Não sei quem era o mecenas
de tão talentoso artista...
Mas sei que aquela pintura,
Ao adentrar-me à retina,
Fazia à vida, pequena...
Chegava a doer na vista!

Não sei bem se foi um sonho:
lugar comum...tez ao vento...
Ou se apenas devaneio
De um jovem enamorado...
Mas sei que quando componho
Memórias daquele momento
É como encontrar um meio
De ter presente o passado...

E o passado de presente
Eu tenho quando observo:
Que os olhos ainda guardam
O brilho daquela tarde...
O ouro ainda é reluzente
No dedo em que se conserva...
E os ouvidos se agradam
Com a voz calma e sem alarde...

Música jovem, festeira,
Conduzida pela brisa...
Soando em timbres loquazes
Ilustrando pensamentos...
Resquícios de alma brejeira,
Vida plena, por divisa...
Lábios em lutas vorazes,
prélios doces, sumarentos...

E quando penso nas horas
Passadas junto à janela
Vislumbrando em tardes claras
Um uniforme em alinho...
Eu bem que me lembro agora
Do quanto sonhei com ela,
Do quanto a vi, jóia rara,
Em cores do "Coleginho"...

Sensações que vêm à baila
E na mente dançam e vibram...
Como fosse um devaneio
Do tempo esculpindo as almas...
O cinzel que fere e talha...
As formas que se equilibram!
se o futuro é sem receio,
Nem sempre a vida foi calma...

Há uma poesia que emana
De tudo o quanto se evoca...
Do viço que havia outrora
E que permanece: latente!
É força que à arte irmana,
e que ao pudor desentoca...
Não é da boca pra fora:
é amor pra sempre e presente!

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