Um tempo de crises

Por: Chiachiri Filho

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Não há dúvidas de que vivemos num período de crises. As manifestações de protestos verificadas no mundo inteiro e, especialmente, em nosso país são sinais reveladores da profunda insatisfação do povo perante o estado atual das coisas.

Há uma crise em relação ao princípio da Autoridade. A Autoridade, qualquer que ela seja, está desmoralizada e em descrédito. Nas casas, os pais são desobedecidos e os mais velhos desrespeitados. Nas escolas, os professores não conseguem controlar a gritaria, as gargalhadas, as brigas, enfim, a balbúrdia generalizada. A Autoridade dos mestres é contestada e desmoralizada pelos alunos, pelos pais de alunos e, às vezes, pela própria direção da escola. Nas ruas, a autoridade policial é enfrentada e atacada pelas “gangs”, pelos baladeiros, pelos bandidos e traficantes. A farda, símbolo da autoridade, não impõe mais respeito. Ao contrário, ela traz medo para quem a enverga.Em suma, o princípio da Autoridade está passando por uma profunda crise alimentada pela demagogia daqueles que propõem com prodigalidade direitos e mais direitos sem a contrapartida das necessárias obrigações.

Há também uma enorme crise na democracia representativa. Os cidadãos não confiam mais nos seus representantes que, uma vez eleitos, esquecem-se de suas ideias, de suas propostas eleitorais, de seus compromissos com os eleitores. Na verdade, eles compram o mandato e vão representar o povo, essa ficção jurídica, cujos anseios são por eles interpretados ao seu bel prazer. Não é obrigação dos parlamentares a estrita representação dos seus eleitores sejam eles professores, profissionais liberais, metalúrgicos, sapateiros. Ao Vereador, ao Deputado, ao Senador competem a representação do povo, entidade ideal, vazia, inexistente na realidade e, por isso mesmo, facilmente confundida com os desejos escusos e interesses inconfessáveis dos próprios parlamentares. Os cidadãos não suportam mais entregar uma procuração em branco para os seus delegados. Querem observá-los, fiscalizá-los e destituí-los antes do fim do mandato caso não o exerçam com dignidade e competência.

As crises afetam a nossa sociedade e o clamor das ruas está aí para anunciá-las. Como resolvê-las? O princípio da Autoridade precisa ser restaurado e a sua restauração está na razão direta da competência, da dignidade, da honradez e da seriedade de quem o exerce. Ninguém pode confiar e obedecer a uma autoridade corrupta, mentirosa e imoral. A Democracia Representativa está carecendo de mudanças que a atualizem e a aperfeiçoem. É indispensável que ela se abra à participação popular e que crie condições para que os cidadãos possam se expressar e controlar aqueles que falam e agem em seu nome. Só assim o clamor popular das ruas e praças será plenamente ouvido e satisfeito.

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