O que guarda - ou preguiça

Por: Débora Menegoti

Meu homem espectro de suavidade e luz
Me enche de ímpeto de vida e paz
Me engana, diz que é só meu quando não
Meu homem "Um Cão Andaluz"
Significado pronto absorto ou reminiscente
Meu homem não é simples tanto faz
Sou tola ao pensar que o tenho nas mãos

Mas ele me acostuma mal por chamar-me Rainha
Diz que mando em tudo dentro de nosso lar
Somos linda família, aqui ou em qualquer lugar
Meu homem é feito de caricias de vento
Negro noite, sou leite, sou lua, mas dele: neguinha

Ele tem o cheiro do delírio em brasas
Delicadas mãos como as de uma suave moça
Não revelam os golpes que deu e levou da vida
Mas ele sem querer me oprime e obriga
A enlouquecer-me de forma gradativa
Pois a distância me empresta suas asas
Me canso na fragilidade da ausente resposta
Me canso na pausa entre dois compassos
de nossa canção que diz valer a pena
Boca eminente cheia de dentes

Sinto tua presença a morder meus passos
e sei que sua vida de grande valia é para pequenas
no plural, não estatura. Seu largo riso em carne
Alimenta voluptuosas bocas famintas e arde
Um repouso seguro para todas açucenas

Mas então é isso, o Amor dele grande e maiúsculo?
Teu veneno, tua saliva??? Adormeço letárgica, ébria
na boca aberta do tempo reticente em brisa estéril
Nunca inteiro. Nunca. Tudo queres febril mas repele
Insólito porém impossível, insistente vento beija a pele
Nega coragem pra valer o pulsar do verdadeiro músculo
 

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