Os ônibus da discórdia

Por: Chiachiri Filho

Na primeira vez em que andei de ônibus, sofri um pequeno acidente. Havia em Franca uma única linha e um único veículo ligando o centro da cidade ao distrito da Estação. Juntamente com meu pai (eu devia ter não mais do que cinco anos), entrei no coletivo que saía da Praça Nossa Senhora da Conceição e descia a Rua Voluntários da Franca. Ao parar no ponto regulamentar situado na esquina da Marechal Caxias com a Voluntários ( antiga sede da empresa São José), a brecada foi tão brusca que eu fui arremetido ao banco dianteiro e sai do ônibus com o nariz sangrando.

Em Franca, eu não usava o transporte coletivo. De “pé dois” subia várias vezes a Rua General Teles desde a Homero Alves até o Champagnat, o IEETC, o Ateneu e as Faculdades. Somente quando pude comprar o meu “fusquinha” (lá pelos meus 26 anos de idade ), a minha circulação pela cidade tornou-se muito fácil e, como consequência, ganhei umas gordurinhas a mais.

Em São Paulo, o jeito era andar de ônibus. Certa tarde, entrei num coletivo que passava pela Avenida Nove de Julho. Ele estava lotado, lotadíssimo. Com muito custo consegui um lugar no corredor, apoiando-me firmemente no corrimão do teto e no encosto de uma poltrona. Foi aí que comecei a sentir um cheiro desagradável. Virando o nariz para cima, identifiquei o odor: saía das axilas de um homenzarrão vestido com uma camiseta cavada. Voltei o meu incomodado nariz para o chão e fiquei sufocado com um chulé insuportável originado de um tênis 42. Fazendo força para não vomitar, desci no primeiro ponto e continuei andando pelos “ares puros” da capital até chegar ao meu destino.

O ônibus, além de caro, é um transporte muito desconfortável. Compreendo perfeitamente a insatisfação popular pela qualidade de transporte que lhe é oferecida. Daí as passeatas de protesto. E elas resolvem? Penso que sim, principalmente se forem feitas todos os dias de manhã ( a partir das 6 horas ), de tarde ( entre 16 e 17 horas e à noite ( depois das 18 horas ). Sem dúvida, teríamos um povo mais saudável, menos gordo e a nossa Franca lucraria muito com a venda de mais calçados.

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