Presença

Por: Shirley Machado de Oliveira

Nossos olhos, se um dia nasceram,

Morreram de fome.

Contamos o tempo em grandes parcelas

E esganamos os segundos.

Por que dormir

Se jamais acordamos?

O barulho da vida entra pela janela

E silencia a nossos pés...

Não sabemos onde estão os sapatos

Ou que cor tem a casa de Deus.

Todo dia passamos pela mesma rua

E, todo dia, ignoramos a arquitetura da vida...

Quando, por vezes, alimentamos os olhos,

Avistamos o mar, absoluto...

Lições de livros...

Somos parte...

Somos pequenos...

Somos relativos...

Quando os fechamos,

Não passamos de barco na tempestade.

E o mínimo, o inseto, o quark

Tudo posto e se alterando

Num sentido misterioso ou

escancarado.

Na menor fração de nós,

O enredo e a filosofia.

Pela frente,

Esperando serem desbravados,

Uma estrada de instantes.

Avante!

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