Poema que é só prosa

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Quando as estrelas se apagaram e a lua restou mero lume de lamparina, fiquei um tempo sem norte. O assombro demorou curta noite, porém.

Relâmpagos começaram a faiscar aqui e ali, a persistirem ali e aqui. Eram ditos e orações maternos vagalumeando meus passos.

A claridade, embora tênue, abriu veredas interiores.

Acordo.

Prenúncios de amanhecer me guiam por via crucis rumo ao cais. Solto amarras, levanto âncoras e velejo. A maré favorável impulsiona meu barco frágil que suplanta ondas e alcança correntes correndo velozmente a favor.

Depois de quatro, ou de quatrocentas luas, mãos no leme, olhos na bússola, vislumbro o Oceano da Convicção.

Meu espírito se recompõe.

Navega um pouco mais e sorri, porque enxerga, lá no topo do mastro, uma pomba branca anunciando terra à vista.

Sorri porque sabe que ancorará o barco no Cais da Salvação.

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