Vivendo assim como...

Por: Heloisa Pereira de Paula Reis

Pela janela do quarto ele via a vida lá fora. A vida que era de todos, menos dele, que se encarcerara sem ao menos saber por quê. Isolara-se de tudo. Dos amigos, dos familiares, das festas de que tanto gostava, das compras, do futebol aos sábados, dos bate-papos no elevador. Talvez até se sentisse melhor assim, sem ter com quem falar, absorto em seus pensamentos. Poucas eram as visitas e quase nenhum telefonema. Entenderam que ele queria assim. Desistiram. Pensavam-no um esquizoide, tão diferente daquele que já fora. Alegre, cheio de vida, muitos amigos, pronto para tudo. Quem passasse agora por sua casa, o veria à janela, a barba por fazer, olhar distante...Quem sabe o que olharia? Um enigma.

Quem o conhecera antes dizia ... que ele tinha ficado assim de repente, não querendo atender mais ninguém. Quem não o conhecera, imaginava mil coisas a seu respeito-traições, estresses, ego danificado...

E assim o tempo se passou, cada qual foi cuidar de sua vida, esquecido ficou o rapaz à janela. Passaram-se primaveras, verões, outonos, invernos. Houve enchentes, terremotos, furacões. Ele continuava lá, na sua impassividade. Vivia sua vida numa exclusão defensiva. De quê? De quem? Nunca se saberia. Mistérios da vida...

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