E o vento levou...

Por: Chiachiri Filho

O prezado leitor já ouviu falar da Água Santa Helena? Não!? Pois ela existiu, existiu e era distribuída em todos bares, restaurantes e cafés da cidade. Na verdade, ela monopolizava o comércio e a distribuição da água mineral em nossa cidade. Com gás , havia a Palmital, mas não era produzida em Franca. A Santa Helena emergia de uma fonte localizada no bairro do mesmo nome e era distribuída em garrafões de cinco litros através de várias carrocinhas. Com o avanço da urbanização, a fonte foi contaminada e a Santa Helena cessou suas atividades. Muitos diziam que a empresa fechou porque a venda de água era um pecado perante Deus.

Um par de calçados Terra era objeto de desejo do homem elegante. Sua qualidade destacava-se dentre os sapatos masculinos produzidos em Franca. “Terra é sempre Terra”: este era o slogan da fábrica. Ter um par de calçados Terra nos pés era motivo de orgulho.

Alguém ainda se lembra do Barioni? Baixinho, gordinho, de amplas entradas, de sorriso fácil e gargalhadas altissonantes, nas suas horas de folga ele fazia ponto na Praça Barão da Franca. Em torno dele sempre havia uma rodinha de contadores de piadas. Barioni destacou-se pela fabricação de chuteiras. As chuteiras do Barioni calçaram os pés dos atletas que corriam nas várzeas francanas.

O pão italiano produzido pelo Sr. Guilherme Pucci era delicioso, inesquecível e insuperável. Nunca mais comi um pão como aquele: casca grossa e rosada por fora e, por dentro, massa rendilhada e meio amarelada. Meu pai trazia-nos o pão ainda quentinho, lá pelas cinco horas da tarde. Nós o cortávamos em fatias nas quais passávamos bastante manteiga e as comíamos acompanhadas por azeitonas pretas e um café bem forte.

A Água da Careta, situada no início da ponte da Rua Voluntários da Franca, tinha um gosto muito desagradável. Era salobra e vinha de uma mina localizada abaixo da ponte, no meio de umas pedras pretas. Depois a mina foi interrompida e a Água da Careta ligada à rede de abastecimento da cidade. Por falta de hidrômetro, acabou sendo desligada.

O tempo passou e o vento levou essas marcas, essas referências de nossa cidade. Ficaram, no entanto, as lembranças.

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