E o galo cantou

Por: Farisa Moherdaui

Quantas pessoas há pela vida carregando lembranças, muitas das quais até machucam e fazem sofrer. É quando se transformam em traumas ocasionados por algo que um dia aconteceu, marcou, o difícil é apagar. É o medo do escuro, o dormir com porta fechada, a chuva, o trovão, o dentista e tantos motivos que vêm e ficam.

Também eu tenho o meu trauma que mesmo me incomodando muito chega a ser engraçado. Porque além de doer me deixa muito mais feia e até faz chorar.

O meu trauma é por paredes e portas de vidro a que chamam vidro compensado. Mesmo sendo grossos e fortes, um ou dois consegui quebrar dando testadas. E ainda que exista um caminho mais seguro para eu passar, as portas de vidro me atraem e por elas eu sigo. Vou tateando aqui e ali, devagarinho, braços abertos, olhos arregalados, mas acabo dando testadas, cabeçadas. O galo vem cantar na minha testa.

Então a dor, testa inchada, compressas de gelo, um desastre! É quando penso que proprietários das casas que têm portas e paredes de vidro deveriam ser solidários, colocando tarjas coloridas, fossem brancas, pretas, douradas, sei lá! O mais certo, porém, e que me ajudaria a vencer o trauma, é que todas as portas e paredes fossem de tijolos ou madeira, como as da minha casa, pois assim a cabeçada seria mais amena e o galo só cantaria no terreiro né?

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