Verborragia

Por: Débora Menegoti

Palavras estanques implicantes como bolhas de sangue, miomas na mente. Denso mar revolto, selvagem... Ora frio, ora morno ou em chamas; coágulos do Imenso.

Vem o intruso e perturba, cutuca, perfura.

Guilhotina, espada, canivete, agulha... Todo tipo de língua. Veem-se derramando soltos: glóbulos puros e impuros, mesmo aspecto. Fora vão também os muros. Um e outro. E outro. E outro...

A insanidade sóbria do vácuo alheio naufragando paradigmas ao beber ferroso vermelho em novas nuances antigas do decifrar.

Jorra viva corrente ao pulsar. Somente em amplitude sem barreiras a constância da consciência de que TUDO É VERBO e sangra onde as vistas puderem pousar uma vida inteira e onde não alcançam.

Se é pass ível de machucá-lo, mais celeste então o divino verbo está.

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