O diabo de plantão

Por: Chiachiri Filho

É verdade: Deus escreve certo por linhas tortas. Candidatei-me a um cargo de deputado e perdi. Pretendi um lugar na Câmara de Vereadores e fui rejeitado. Confesso que fiquei um pouquinho amargurado. Porém, nada como um dia após o outro. Hoje eu dou graças a Deus por não ter sido eleito. Não recebi delegação de ninguém, não preciso representar nenhum grupo, nenhuma categoria, nenhuma cidade. Não sou um político, não preciso defender os direitos de ninguém: nem os direitos humanos, nem os direitos dos animais, nem mesmo as prerrogativas dos segmentos minoritários. Para dizer a pura verdade, livrei-me de uma fria. Se há alguém desmoralizado neste país é o político. Atualmente, é o “diabo de plantão”. Ele é acusado de corrupção, de incompetência, de malversação do dinheiro público. É o grande culpado da insegurança, da falta de assistência médico-hospitalar, da ineficiência da educação. Culpam-no pela carência de creches, pelos elevados preços e desconforto dos transportes coletivos, pelos buracos das ruas, pela falta de infra-estrutura urbana. Enfim, o político está mais sujo do que pau de galinheiro. Político, atualmente, é sinônimo de palavrão.

Bem feito, prezado leitor, bem feito! Na realidade, o político tem culpa no cartório. E a culpa começa a ser formada na época das eleições quando, nos palanques, nos cartazes, nos planos de governo, ele ilude o povo com mil e uma promessas. Não tem a coragem de falar a verdade para os seus eleitores. Pretende, isto sim, enganá-los com soluções ilusórias e inviáveis. Depois, no Poder, tem de enfrentar a dura realidade dos cofres vazios e das necessidades urgentes. Atacam os seus adversários com palavras duras, impróprias e até impublicáveis. Destroem-se mutuamente através das calúnias e acusações sem fundamento e acabam morrendo abraçados.

Quem, em nossos dias, gostaria de ser um político? Você, prezado leitor? E o seu bom nome, a sua história e a sua biografia? E o respeito de seus filhos, de sua família, de sua comunidade? Seu bom nome seria jogado na lama e a sua história maculada para sempre.

Não, não é fácil ser político: nunca foi e muito menos agora. É preciso ter nervos de aço. É preciso ter muito idealismo e tenacidade para atravessar o mar tenebroso da maledicência ou, então, muita cara de pau e desonestidade para assumir uma função pública com o intuito de enriquecer-se à custa da miséria do povo. Não, não é fácil ser político e é por isso que os bons se afastam para darem lugar aos diabos de plantão.

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