Pausa

Por: Débora Menegoti

Minha mão direita
é uma lápide ou cipreste.
A esquerda um sabiá.
Minha cabeça vista por trás é oca.
De frente a face começa a envelhecer.
Mostra suas jabuticabas
marfins como ornamento.
O meu peito abriga imensidão de cores
que vão desbotando
uma
a
uma.
Vou perdendo o paladar, também a fome.
Não sabia que os sonhos enrugam...
Meus estados de pré-estalidos
não me levam a lugar algum
A não ser a crises de espirros alérgicos
e humilhação lúcida.
Não sabia, além da paciência
o dom de não causar desinterpretações.
Levo meus pés
com seus grilhões
a passos vagarosos
suarentos
Tropicando no desfecho
que invento
sem intenção.
O avesso atrativo me condena
Estou à beira da vida.

Débora Menegoti, universitária

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