O impoluto

Por: Chiachiri Filho

É bom, muito bom mesmo, receber contribuições dos meus leitores e leitoras. Uns corrigem-me. Outros acrescentam histórias das quais eu me havia esquecido ou me eram desconhecidas.

Escrevendo sobre os bares e restaurantes da Franca, fui traído por minha memória ao atribuir a Mário Nalini a fundação do Bar Barão. Na verdade, o iniciador do Barão foi Mário Faccioli, pai do meu amigo Joaquim, engenheiro em São Paulo e esposo da minha colega Gelva.

Recentemente, relembrando coisas da nossa Franca, referi-me ao Barioni. Vários leitores telefonaram-me para contar outras histórias interessantes sobre o mais famoso fabricante de chuteiras de nossa cidade e região. Barioni, por exemplo, era juiz de futebol. Aliás, um excelente juiz, muito requisitado pela várzea francana. Um jogo apitado por Barioni tinha mais valor, mais destaque, mais emoção.

Contaram-me que o Jeguinho ( este era o seu apelido ) estava apitando um jogo entre professores e alunos. Jeguinho, com seu uniforme preto, era um árbitro que impunha respeito. Rigoroso, enérgico e, apesar de seu porte e altura, muito corajoso. Preocupava-se com a disciplina e a incolumidade física dos atletas. Pois bem! Naquele famoso jogo entre professores e alunos, Barioni trilou o apito anotando uma falta próxima à grande área. Mais do que depressa, um dos jogadores (ao que tudo indica, um professor ) gritou:

— Boa Sr. Juiz! Você é mesmo um impoluto.

Barioni indentificou o atleta, empinou sua barriguinha e, de dedo em riste e na ponta dos pés, retrucou:

— Impoluto é a sua mãe. Fora! Fora! O Sr. está expulso da partida

O professor, cabisbaixo, retirou- e, segundo alguns comentários, disse baixinho:

— É... ! Não tem jeito: Jegue é jegue.

Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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