Pare! Olhe!

Por: Luiz Cruz de Oliveira

O grito da buzina, o ruído de pneu fritando-se no asfalto, o cheiro forte de borracha queimada chegam pouco antes dos palavrões, antes dos xingamentos. Depois da sequência de ofensas à minha mãe, à minha avó e a parentes de grau mais afastado, o motorista se acalma e diz apenas:

- Tá maluco, velho? Presta atenção no sinal... Não tá vendo que tava fechado ? Filho da mãe...

O motorista apressado se vai, um pedestre se aproxima, tenta ser solidário.

- O senhor está bem?

- Estou, estou... Não precisava era de tanto palavrão...

- O senhor precisa tomar mais cuidado, quando for atravessar a rua. Precisa olhar para os dois lados antes de atravessar.

- Eu sei, eu sei. Eu olhei para os dois lados, mas não vi o carro. Eu não enxergo.

Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras

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