Destino

Por: Janaina Leão

É só de pensar no vazio, na cadeira vazia, na cama vazia, no prato solitário da mesa, nas filas cheias de gente alegre e acompanhada, no cinema sem dar a mão, no teatro sem olhar de cumplicidade, na pipoca que sobra: na felicidade não compartilhada... Só de pensar é quase um morrer/morrendo.

Só de pensar eu sangro em lágrimas por algo que já se foi, mas ainda está presente em roupas e perfumes espalhados na casa, no olhar dos cachorros, nas plantinhas que murcham tentando me agarrar a um passado que foi e é lindo, mas que apresentou dois caminhos presentes: um mais longo, e um curto. E cada um tomou o seu, que apesar da solidão também terá sua beleza. Já dizia uma tia cartomante: Bárbara, a gente quando sofre com dignidade, fica até mais bonito.

E já enviando um abraço a esta tia, dona de sete sentidos aguçados, relembro outra frase, que ela mesma viveu: ‘Quem sabe faz a hora, não espera acontecer’.

O sofrimento faz parte... Não evito. Meu plano ‘b’ sempre acontece: a cavalaria/amigos sempre chega na hora certa. Minha armadura é da cor do Olho de Deus. Meu destino é o Bom Combate: espero com todo meu coração, que nos encontremos lá na frente, sorrindo satisfeitos, desfrutando da água que mata a sede depois da longa jornada.

Janaina Leão, psicóloga

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