Mãos fraternas

Por: Hélio França

(Aos meus irmãos)

Somos todos aprendizes desde o nascimento. A vida vai nos ensinando, aparando as arestas mais agudas da nossa personalidade através do esmeril do tempo. E assim vamos sendo moldados qual vasos artesanais, não de argila, mas de carne e osso, com virtudes e defeitos. Se estes são a maioria, o vaso fica defeituoso, podendo se quebrar pelo caminho, ficando impossibilitado de prover as necessidades da planta que, ao invés de dar flores, se desvanece e murcha, cercada de ervas daninhas, eternas más companheiras. No entanto, se nos tornamos um vaso repleto de virtudes, este receptáculo por si só já seria o adubo rico e necessário à formação de uma planta vigorosa, saudável, capaz de dar bons frutos e flores.

O lar é um desses receptáculos onde se cultiva a mais valiosa das plantas, a família. O verdadeiro amor, a devoção à mulher amada, o carinho para com os filhos, são riquezas imorredouras provindas de nossa alma, porém advindas naturalmente da força benigna do Grande Arquiteto do Universo, sem o que, planta alguma romperia o solo da alma para transformar-se em árvore frondosa enraizando em terras férteis de sabedoria.

O homem é fraterno por natureza, mas deixa que a guerra deturpe esta virtude. É igual por natureza, mas cultua discrepâncias sociais que não o assemelha aos seus irmãos. É livre por natureza, mas vive preso atrás das grades do preconceito e da hipocrisia.

Felizmente, nem todos os homens deixam de praticar a igualdade, a liberdade e a fraternidade. Existem aqueles que se dedicam a lapidar não só o seu íntimo, mas a construir os alicerces de um mundo melhor, por intermédio de ações contundentes do bem, para a melhoria do caráter de outros irmãos, os quais, por sua vez, darão continuidade na existência de uma vida cada vez melhor, mais saudável, mais sábia, mais benevolente e mais virtuosa !

Particularmente, considero-me um aprendiz desde meus primeiros passos cambaleantes sob os olhares cuidadosos dos meus pais. Lógico, caí algumas vezes, toda criança cai. Quando bem velho for, também voltarei a ter as pernas fracas e os passos incertos. No entanto, se no decorrer da existência tiver me alimentado de virtudes, o caminhar de minhas ações continuará firme, sensato, sutil e procedente.

Humildemente e honrado, continuarei a aprender a caminhar pelas mãos fraternas da Augusta Loja TRÒS COLINAS, onde com muita alegria, renasço para vislumbrar não apenas um novo horizonte, mas três horizontes : o da igualdade, o da liberdade e o da fraternidade !

Hélio França, engenheiro e membro da Academia Francana de Letras
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras