A felicidade é uma grande mentira

Por: Débora Menegoti

A felicidade é uma grande mentira

Não me acostumei completamente com a sua verdade... Porque para que a verdade entrasse, muitas lágrimas tiveram que ir embora. E entre os momentos de dor que coleciono, ainda que poucos, felizmente ainda considerados divinos. Apesar de risadas e palavras suprimidas, engolidas todas, nos teus dentes grandes do teu riso quase infantil, sentado no colchão, ou de joelhos, peito nas minhas costas. Naquele quarto, com aquela luz de domingo invadindo minha alma com um calor tão laranja... Clara luz, ganha sua marca.

Foi difícil digerir que o que você não me dizia.

Seria o inverso do que você sentia ou demonstrava? Ou talvez o que disse fosse a verdade, ou o contrário, ou ainda pior, talvez não fosse coisa alguma. A sensação de se olhar no espelho, e ver pelo reflexo quantas coisas estão atrás de si, sem se virar, essa sensação de perceber o mundo alheio que gira indiferente e absoluto em sua suficiência limitada, é um pouco assustadora. Como venda adesiva arrancada abruptamente, levando as sobrancelhas e os cílios. Ver não é sempre um prazer. Penso que com você posso vir a vomitar vidros e dragões, percebendo lacunas, descasos, falta de fé ou de fantasias.

A dor e confusão que causei a mim mesma por acreditar muito na verdade que você impõe,sem nela acreditar... Veludo, doçura, uma alma tão pura, doce, autêntica e eternamente apaixonante, e todos os embaraços mal tecidos pelo meu orgulho, teu orgulho... E a lascívia e os nós do meu espírito pequeno me fazem perceber o preço do equilíbrio. Quero ser feliz demais, e tenho medo do teu medo, acabo insatisfeita no teu amor pequeno. De ir assim, não amando. E acreditar que a verdade é sempre sua melhor amiga. E que só você é perfeito.

Amar, que no teu corpo, no par de olhos que transbordaram segurança por alguns momentos, prazer e beleza, não há nada, nem uma exclamação, nem ponto final, nem reticências.... Vejo uma explosão interna e dos pedaços que estilhaçando lança, projeta contra mim, ou a meu favor... Não consigo captar do que são feitas essas luzes. Fico só perplexa ao fitá-las como criança com brinquedo novo, vendo fogos de artificio no réveillon... Não há lógica que permita tanta lisonja. Pago enfim por um pecado alheio... E pelos meus próprio pecados... Pago caro.

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