Bagaçada

Por: Chiachiri Filho

Um rancho às margens do Rio Grande é um forte objeto de desejo para muita gente. Para mim também. Só que, por comodismo e economia, prefiro o rancho dos amigos.  O rancho é sempre um lugar de paz, sossego, tranqüilidade onde, nos finais de semana, pode-se descansar e recuperar as energias  necessárias para a dura labuta diária. O rancho é um lugar de prazer: boa comida, boa bebida, boa conversa, passeios de lancha e jets, esportes náuticos. Para alguns, o prazer é levado às suas últimas  conseqüências, isto é, passa a ser um prazer sexual.

Correm por aí muitas histórias, verídicas ou fantasiosas, sobre os ranchos e seus freqüentadores. Uma delas chamou-me a atenção e, por isso, vou relatá-la ao prezado leitor.
Um grupo de amigos resolveu associar-se na compra de uma gleba de terra e na construção de um rancho nas margens de uma das represas do Rio Grande. Terminada a casa e seus anexos, passaram a frequentá-la nos feriados e finais de semana. Vinham sempre bem acompanhados por mocinhas de vida fácil e alegre. A festança prolongava-se até altas horas da madrugada. Na rede, os peixes surgiam com fio dental e bermudinha. 
Certa feita, o grupo de amigos decidiu levar as respectivas esposas. No entanto, esqueceram-se de avisar o caseiro. Ao chegarem no rancho, o caseiro veio abrir a porteira e,  observando o conteúdo dos carros, exclamou:
— Doutor, doutor! Dessa veiz ocêis trouxeram uma turma bem bagaçada.

Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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