Os bandeirantes

Por: Chiachiri Filho

Várias foram as expedições de bandeirantes que, partindo de São Paulo, avançaram pelos sertões brasileiros com o objetivo de aprisionar indígenas ou de descobrir minas de metais e pedras preciosas. Uma delas, tomando a direção leste, atingiu as Minas Gerais e aí fundou a Vila Rica de Ouro Preto. Outra, seguindo o rumo do oeste, alcançou Mato Grosso e formou a Vila Bela da Santíssima Trindade. Uma terceira (a que mais interessa à nossa História), orientou-se para o norte, indo, nas terras goianas, fundar a Vila Boa de Goiás. Essa última foi comandada por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera I, que buscou (mas não encontrou ) as minas de ouro da Serra dos Martírios. Sua obra foi completada por seu filho, o Anhanguera II, que encontrou ouro e deu início à mineração nos ribeirões da Prelazia de Goiás.

Com a descoberta das minas goianas, a região onde se encontra Franca e que tinha o nome de Belo Sertão da Estrada dos Goiases, passou a ser desbravada, palmilhada e povoada.

Antes mesmo dos Anhanguera, outros bandeirantes incursionaram pela região norte da Capitania de São Paulo na captura de índios para o trabalho servil. Contudo, foi a descoberta das minas de Goiás o fator mais importante para o conhecimento e povoamento do sertão.

O Caminho dos Anhanguera, também chamado Estrada dos Goiases, durante o século XVIII, serviu de ligação entre São Paulo e Vila Boa. Por ela transitavam os viandantes e negociantes que se dirigiam às minas de Goiás. Ao longo dela e às margens de algum ribeirão, foram sendo formados os pousos, pequeninos núcleos populacionais que davam apoio e sustento aos caminhantes que iam a Goiás para se enriquecerem com o garimpo ou com o comércio.

No limiar do Belo Sertão havia o pouso do rio Pardo. A este, seguiam-se os pousos do Cubatão, Lages, Araraquara, Batatais, Paciência, Pouso Alegre, Sapucaí, Bagres, Posse, Ressaca, Monjolinho, Ribeirão, Calção do Couro, Rio das Pedras, Rossinha, e, finalmente, Rio Grande.

No século XVIII, os pousos, que cresceram com as minas de ouro de Vila Boa, decaíram com o seu esgotamento. No século XIX, a situação altera-se com a chegada dos entrantes das Minas Gerais. A Estrada dos Goiases, que passará a chamar-se Estrada do Sal, continuará sendo de importância fundamental para o desenvolvimento da região. Porém, o fluxo do trânsito se inverterá e as pessoas e mercadorias dirigir-se-ão para Campinas, para a Corte do Rio de Janeiro e para o quadrilátero do açúcar da Capitania de São Paulo.

Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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