Migalhas

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Um casal cruza a praça.

Levo susto.

- Meu Deus, é ela. É ela.

Os óculos, cujas lentes me parecem quadradas, mais o penteado diferente, desfiguram minha certeza.

- Parece ela... Que semelhança, meu Deus. Só pode ser ela.

O desejo de apagar dúvidas provoca a loucura: grito seu nome.

- Amaaada!

O rabo do olho me diz que o casal para por um segundo, olha indeciso para a esquerda, depois para a direita, dialoga, decide-se. Caminha em direção ao leste.

Baixo os olhos, observo pombos e pardais bicando migalhas que crianças e adultos espalham pelas alamedas.

Ergo o esqueleto cansado, caminho rumo ao poente esmaecido cada vez mais.

Os pés vacilam, mas o coração dá bicadas, tenta também sobreviver.

Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras

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