Dificuldades linguísticas

Por: Chiachiri Filho

A língua espanhola, por sua semelhança com o nosso português, parece-nos fácil de ser entendida e falada. Daí cometermos inúmeros equívocos quanto ao significado de certos vocábulos bem como quanto à pronúncia de várias palavras. Aliás, os erros na pronúncia e no significado das palavras acontecem dentro da própria língua portuguesa. O prezado leitor, por exemplo, sabe a acepção e o uso correto das palavras portuguesas (de Portugal) “ montra, berma, chui, autoclave, sarrilhos” ?Pois são bem diferentes do que está imaginando...

O termo “cueca”, para os nossos irmãos d’além mar, serve para designar também as calcinhas femininas. Os vocábulos “bicha, camisola, rapariga” já são do conhecimento do leitor. As complicações vão mais longe. O meu amigo Zé Tarcísio, em seu tour pelo Velho Mundo, perguntou a um comerciante português se ele fecharia o seu estabelecimento aos domingos. O comerciante respondeu negativamente. Para sua surpresa, a loja estava fechada no domingo. Ao inquirir o português sobre a falsa informação, ele respondeu com muita tranquilidade:

— Pois se eu não a abro, como poderia fechá-la?

Na Alemanha, o meu saudoso amigo Roberto Conrado usava um estratagema muito interessante. Para pronunciar bem certas palavras alemãs, ele procurava na língua portuguesa vocábulos cuja pronúncia fosse semelhante, embora o significado totalmente diverso. Assim, para expressar a palavra “Deutsh”, ele usava “Dói ti”.

As dificuldades com a língua espanhola, quer no significado ou na pronúncia, são muito corriqueiras.

O Presidente Fernando Color, logo após empossado, em uma entrevista à televisão argentina e querendo mostrar sua faceta poliglota, soltou esta:

— Yo tomarei las medidas necessárias: doe-la a quiem doe-la.

Antes deste episódio havia empregado “ranelas”, que não existe em espanhol, no lugar de “ventanas”: “Cerren las ranelas!”, bradou. Ninguém na pátria de Cervantes entendeu.

Recentemente, numa excursão de francanos ao México, um dos turistas, sentindo-se envolvido pela melodia do linguajar mexicano, chamou o garçom e, querendo ser bem entendido , expressou-se da seguinte maneira:

— Yo quiero uma CUECA CUELA.


Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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