O show perfeito

Por: Janaina Leão

Eu amo rock Nacional, acho que não é novidade para quem me conhece- eu ando estampada de Legião Urbana e jeans do meu jeito, que é uma combinação de várias coisas, vocês irão entender quando eu contar qual seria meu show perfeito, já que eu não curto só rock ‘n ‘rol l... Eu também amo MPB de fazer o coração acelerar ao digitar... E ouvindo ela: Maria Bethânia.

Seria assim: manhã para lá de ensolarada, daquelas que não queimam, nem gelam. Passarinhos tudo e tal, eis que de repente ouço o cara da rádio, falando:

_ “Hoje, show com banda tal e fulana de tal.”

Minha reação automática:

_ “Puta merda- NÃO ACREDITO!”

Coração veio na boca, e bateu que nem tambor no peito. Segurei meu “tchan” porque eu também não queria infartar, bem nesse dia maravilhoso. Tomei uma água de coco/ isotônico natural e desacelerei: na minha geladeira nunca falta esse tipo de calmante (risos).

Comprei o ingresso pela internet, paguei um pouco a mais: eu merecia ver isso bem de perto: tipo primeira fila, sabe?!

Lá fui eu para o show da minha vida, aquele que oferecia até risco, por conta de um descompasso do coração que, emocionado, poderia ter um treco: Renato Russo e Maria Bethânia.

O show aconteceu a céu aberto. Eles num palco redondo com fundo branco onde passava só imagem “da hora”. Gente sorrindo, clipes das bandas, uns “tiozinho” com isopor vendendo água e demais prazeres, namorados se beijando, pais e filhos e uns figurões da Paz Mundial tipo o Ghandi e o Mandela, outros da música tipo a Amy e a Janis também estavam; sonho é sonho (risos).

Chorei demais, desde o começo, mas levei meu isotônico natural. Dois litros para permanecer de pé, do primeiro ao último segundo. Nem que fossem os últimos da minha vida.

A lua estava linda, quando ao final do show, só no finalzinho, eles pisaram o palco juntos. Antes cada um fez seu show sozinho. O Renato deu a mão para Bethânia que descalça recitou junto com ele:

_“Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração, não aprendi a me render, que caia o inimigo então. Medo não me alcança, no deserto me acho.Faço Cobra morder o rabo e Escorpião virar pirilampo. Meus pés recebem bálsamos, ungüento suave das Mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro. Se choro, quando choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que alimenta a vida. Chorando eu refaço as nascentes que você secou. Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e Sortilégio. Vivo de cara para o vento na chuva e quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de Gandhi cruzam o meu peito. Sou como a haste fina que qualquer brisa verga. Mas, nenhuma espada corta. Eu sou Metal, Raio, Relâmpago e Trovão.”


Janaina Leão, psicóloga

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