Eu em mim

Por: Ronaldo Silva

Uma ideia me causa espanto:
por onde quer que eu ande,
esteja onde estiver, aqui ou no além
serei sempre eu em mim.

Consciência que traspassa, não incólume,
eras sem fim de um tempo louco
que não é tempo, mas eternidade.
Isto é tão grande que chega a ser incomensurável.

Milênios atrás, milênios à frente,
cá estou eu numa noite de domingo,
escrevendo algo pra um não sei quem,
montando versos não sei para quê.

Milênios de uma eterna-mente,
em que apenas um dia configura-se em abismo,
no qual atiro-me às cegas.
Abismo de possibilidades sem fim.

A casa, o carro, o pai, a mãe.
Tudo vai ficar para trás, um dia.
De mim mesmo, só eu irei adiante.
Atrás de mim, uma enorme borracha
apagando os minutos.

A viagem cósmica não terminará jamais.
Mas esta poesia está pronta
(naquilo que pode ter de pronta uma poesia).
E ela também ficará aqui, um dia, sem mim.

Ronaldo Silva, vendedor, universitário

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