Fastio

Por: Débora Menegoti

Renuncio e me habituo definitivamente aos desejos de solitude, carícias, palavras doces, pensamentos frescos numa grande sala perfumada pela brisa mansa da mata. Concretizo totalmente sã, pensamentos delicados, altamente sensíveis mas algumas vezes sombrios cristalizados no açúcar queimado com hortelã para cura da falta de vivacidade furtiva. Hoje a concentração e o silêncio se tornam meus amigos fragilizantes, testemunhas, conselheiros e juízes.

Lucidez, LU CI DEZ, ao mesmo tempo em que amo essa palavra eu a odeio profundamente.

Lucidez... Lucidez... soa-me neste instante como se estivesse a lamber gulosa em nostalgia, asco e desespero as paredes frias chapiscadas de reboco da casa que me guarda de todo mal, da felicidade e me separa do sol.

Talvez eu queira só amar e me esterilizar aos poucos. Estaria me tornando tórrida? Inefável?

Fastio.

Débora Menegoti, universitária

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