O Esquadrão da Lei Maria da Penha

Por: Paulo Rubens Gimenes

Quem já foi ou é vizinho de uma república estudantil sabe bem o significado da expressão “o inferno na terra”. Culpa do “conflito de agendas”. Enquanto seres humanos normais optam por dormir mais cedo durante os dias da semana para pegar no batente do dia seguinte, os estranhos habitantes destas repúblicas elegem estes dias para fazerem festas. Ai este conflito atinge proporções exorbitantes, quase uma guerra.
 
Localizado em uma cidade do interior do Paraná, o Edifício Aníbal Rocha era uma exceção a esse cenário conflitante por ser composto totalmente por repúblicas estudantis; totalmente não, um casal recém-casado lá instalou o seu “lar, doce lar”.
 
Naturalmente, as festas rolavam soltas no Aníbal Rocha e pareciam não atrapalhar os pombinhos; porém, as brigas do casal incomodavam e muito os estudantes. Barulhentas e violentas, não deixavam alheio nem o mais “bicho grilo” dos universitários.
 
Incomodava tanto que, nas frequentes reuniões festivas, muitos rapazes levantavam a hipótese de intervir. “Bater em mulher, que covardia!” - bradava um; “ Temos que dar uma lição neste vagabundo.” - incitava outro. “Da próxima vez não vamos nos calar, vamos dar uma lição no calhorda.”- sentenciou o mais corajoso.
 
E a “próxima vez” chegou rapidinho. Começo de noite, som rolando na república dos estudantes de odontologia e a briga do “lar, doce lar” se inicia. Em breve os barulhos denunciam que o marido está dando uma surra na esposa como fazia frequentemente.
 
Definitivamente, aquilo não poderia continuar. Armados de vassouras, rodinhos, baldes e outras armas, o Esquadrão Maria da Penha seguiu para o apartamento do casal. 
 
Chegando à porta, prontos para a invasão, ouvem a esposa gritando:
 
- “Vai, atira se você for homem!”
 
Dizem que tem soldado do Maria da Penha correndo até hoje. 
 
Paulo Rubens Gimenes, Publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca

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