Quase sobreviventes

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Em 3 de agosto de 1991, após explosão na sala de máquinas, o navio de cruzeiro grego Oceanos com centenas de pessoas a bordo inclinou-se e afundou lentamente na costa sul-africana. A maioria da tripulação – inclusive o capitão Yiannis Avaranas - abandonou o navio e deixou a bordo  cerca de 200 passageiros -  dezenas de homens, mulheres e crianças. Yiannis violou antiga tradição náutica:  numa emergência, o capitão é o último a deixar o barco. E o mundo inteiro criticou. Dez anos antes do naufrágio, grupo de sete francanos passeou pelas ilhas gregas em cruzeiro naquele navio. Lembram-se de forte tempestade durante o percurso que fizeram, mas nada que comprometesse a estrutura aparentemente sólida da embarcação. A foto que registra a passagem deles pelo Oceanos – na qual estão irreconhecíveis em comparação com a aparência atual – está no álbum de boas recordações. O grupo: Mariângela, Lúcia Helena, Maria Helena, Humberto, Sônia, Mário Roberto e Carlos. O capitão que fugiu? Criticado, combatido, xingado, acabou absolvido por tribunal: alegou que dirigiria melhor a operação de resgate fora do navio. Quando a poeira assentou, voltou a trabalhar como capitão de navios de cruzeiros.
 
(Lúcia H. M. Brigagão)
 

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