Os Faraglioni

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Na Ilha de Capri, mar Tirreno, pertinho de Nápoles, de onde a família do avô saiu para atravessar o  Atlântico e ajudar na construção do Brasil.  Quatro, três são mais conhecidos -  Saetta, Stella e Scopolo. Altura média de 60 metros, diz-se, eram residência das Sereias, encantadoras de marinheiros.  Surpreendentemente belos, parecem brotar do mar. A neta quis conhecê-los: supunha que resgataria sonho e desejo do avô, e do pai, orgulhoso oriundo. Chegou de um lado da ilha, pegou o funicular, atravessou-a. Não viu direito as construções, mal observou os palácios dos imperadores romanos. Empreendeu a descida das ladeiras ladeadas de arbustos e plantas rasteiras para vê-los, de longe e do belvedere, excitadíssima com visão e impacto antecipados dos majestosos rochedos. Brecou-a terrível visão de dois lagartos azuis que calmamente atravessaram sua frente, acostumados com movimentação de humanos no seu habitat. Quase pisara neles. Entrou em pânico, espantou bichos e turistas, voltou. Foi encontrada pelo marido - que continuara a descida sozinho -  encolhida sobre  cadeira, chorando de ódio, frustração e raiva de si mesma. Só conhece os Faraglioni por foto do Google...
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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