Ufa! Que calor é esse ?!

Por: Chiachiri Filho

Hoje é sábado. Não sei se o dia está quente ou muito quente. Ao escrever esta crônica, no início da semana, o calor estava insuportável. Eu transpirava por todos os poros e por todas as pontas dos dedos. Um exercício, por mais leve que fosse, transformava o nosso corpo em uma fonte de águas quentes. Andar, vestir-se, comer, falar e até pensar ( mesmo à sombra ) faziam com que o suor escorresse em nossa fronte e as nossas axilas gotejassem continuamente.
 
Para alguns religiosos, esse calor infernal é um dos prenúncios do fim dos tempos. Para muitos cientistas, a explicação está no efeito estufa. Em ambos os casos, a culpa é dos homens, dos homens que pecam ou dos que agridem a natureza com suas invenções demoníacas. Os homens sempre são culpados: pesa em seus ombros a gravidade do pecado original. Seja o que for, o calor está sufocante, mas ainda não sinto o perigo da Terra ser consumida pelas labaredas do inferno. Há ainda muita gente boa habitando este planeta azul como, por exemplo, o estimado leitor.
 
Quando jovem, eu gostava do frio. Daquele frio vivido pelos moradores da região norte do globo. Não raras vezes, imaginei-me um polícia montada do Canadá, vestido com aquelas roupas grossas e pesadas e mais as botas e um chapelão coberto de neve, sendo levado por aqueles cavalos grandes, gordos e felpudos pelos cenários gelados daquele país. Sem dúvida, o clima frio é próprio da juventude, combina com a juventude, anima e impulsiona os ímpetos juvenis. 
 
O tempo passa. As estações sucedem-se. A partir do momento em que nem as roupas e nem as meias de lã conseguiam esquentar mais o meu corpo, optei pelo verão. Escolhi o verão como a melhor estação do ano. A estação em que posso andar desembaraçadamente com os ossos aquecidos e as juntas destravadas. Sim, prezado leitor, agora eu gosto mesmo é do calor, do calor tropical, do calor que me permite andar de bermudas e chinelão, do calor que aquece o coração desse Brasil cor de anil. 
 
Gosto do calor, quero o calor, suporto o calor. Porém (sempre tem um porém), não precisava estar tão quente assim. Uma chuvinha seria bem- vinda . Um ventinho vespertino não seria nada mal, ao contrário, seria muito agradável. Que faça calor! Contudo, sem exageros. Se não, quem é que poderá dormir com um calor desses?
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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