Onde há fumaça...

Por: Chiachiri Filho

Li, certa feita, num desses romances policiais norte-americanos, como a máfia atuava para arrebanhar adeptos para suas atividades criminosas. Não sei se a narrativa correspondia à realidade. O estratagema, sem dúvida, era brilhante, habilidoso e terrível. A máfia contratava psicólogos altamente competentes para descobrirem e acompanharem jovens irascíveis, rebeldes, angustiados e potencialmente perigosos. Os psi se tornavam amigos e companheiros desses rapazes e, com muito vagar e paciência, iam encaminhando suas frustrações, amarguras e revoltas contra um determinado alvo previamente escolhido pela organização criminosa.O jovem, cego de raiva e rancor, acabava identificando o alvo escolhido como a causa de sua vida miserável e sem esperanças.Desta maneira, tornava-se um assassino, um depredador, um arruaceiro. Podia tanto atentar contra a vida de uma autoridade constituída quanto atear fogo em edifícios públicos e privados. 
 
Há muita coisa por trás da fumaça do rojão que matou o cinegrafista da TV Bandeirantes. O jovem ( ou jovens ?) assassino, arrebanhado nas camadas mais excluídas da sociedade, não passa de um bonifrate. Foi recrutado e pago para quebrar, badernar, incendiar e ( talvez até por descuido ) matar. Por trás dessas manifestações e protestos violentos, há gente interessada em bagunçar o coreto, há organizações preocupadas em criar um clima de medo e terror, há partidos políticos interessados em promover a anarquia e a desordem. 
 
Nem todos os partidos políticos desejam e defendem a democracia. Alguns, por jamais conseguirem conquistar um pouco do poder pelo voto popular, pretendem impor as suas idéias através da força, da pressão, da intimidação. Usufruem da liberdade para sufocá-la, para desmoralizá-la, para eliminá-la. Às vezes, uma minoria organizada vence e, quando vence, institui um regime de opressão e terror. 
 
Nem todos desejam a liberdade e a democracia. Alguns almejam um regime ditatorial ou, pior ainda, um regime totalitário em que toda a sociedade, como já aconteceu na China, tenha o mesmo pensamento, tenha o mesmo corte de cabelo, vista -se da mesma maneira, tenha os mesmos gostos e prazeres, enfim, aceitem um único comando e um mesmo padrão de vida. Em nome de um igualitarismo utópico, sacrificam a liberdade e corrompem a consciência de um povo.
 
Portanto, prezado leitor, o trabalho da polícia não se encerra com a descoberta do assassino do repórter Santiago Andrade. O trabalho da polícia precisa ir além da fumaça dos rojões para descobrir quem alimenta, quem organiza, quem financia os títeres desajustados que se aproveitam das manifestações democráticas para espalhar o ódio, o terror, a violência, a destruição e o caos. 
 
Depois da cortina de fumaça podem ser encontrados os verdadeiros assassinos das pessoas, os algozes da liberdade e da democracia.
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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