Carnavais

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Dilú Jacintho Cerqueira, Fátima Olivieri Mello e Vânia Martins Ferreira Bettarello. Carnaval do século passado, Clube de Campo da Franca. Três melindrosas, cílios postiços, colares de pérolas, plumas na cabeça, piteiras só para fazer  “visage”, que nenhuma fumava. Metros e metros de franjas de seda. No salão a banda tocava e os foliões cantavam Jardineira, Salve a Mulata, Pirata da Perna de Pau, Bandeira Branca, e era bom:  quanto riso, ó!  quanta alegria! Confete, serpentina, lança-perfume não. Dançavam quatro noites e três matinês - que era quando levavam os filhos para a festança. Eles não iam muito satisfeitos, não: interrompiam brincadeiras de rua, chiavam, morriam de vergonha pois elas inventavam fantasias para eles concorrerem nos concursos. Verdadeiro mico! Tirante isso, era época de doce sanidade: as crias obedeciam, não reclamavam de “bullying”, nem de maus tratos. As foliãs tornaram-se avós. Nenhuma vai se fantasiar esse ano. Os filhos delas, hoje pais, não virão ao salão de danças e muito menos levarão os filhos. A jardineira quebrou, é crime cantar a mulata, o pirata tem prótese moderníssima e a bandeira branca ficou vermelha. Acabou.  
 
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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