E aí? Queimou alguma foto?

Por: Paulo Rubens Gimenes

A grande novidade agora é o “selfie”, que é quando uma pessoa fotografa a si mesma. Em tempos de rapidez “supersônica” esta moda talvez já deva ter passado quando este texto for publicado.
 
Apesar de parecer coisa moderna, tenho em minha lembrança um “selfie” ocorrido lá pelos anos 1980. Vale lembrar aos leitores com menos de trinta anos que as fotos antigamente eram muitos mais raras e caras. Longe da era digital, as fotos eram tiradas em filmes de doze, vinte e quatro ou trinta e seis poses, posteriormente mandadas pra revelar e muitas ficavam ruins ou simplesmente não saíam, dizia-se que estas tinham “queimado”.
 
Como tantas outras coisas do passado, fotos eram curtidas em grupo, de mão em mão, nada de “compartilhar” por redes sociais. Quem não se lembra das fotos expostas no Foto Rigoletto após os carnavais?
 
Então, o “selfie pré-histórico” deu-se em uma das inúmeras festas que a juventude daquela época fazia na residência de um amigo de escola; festa rolando e a máquina fotográfica, depois de batidas algumas “chapas”, ficou “dando sopa” sobre uma mesa. Luisinho, um tipo de aluno que na época chamávamos de “espírito de porco”, não teve dúvidas, pegou a mesma, foi ao banheiro e lá fez um “selfie” dos, diríamos assim, dos seus “países baixos”.
 
Sem que ninguém percebesse deixou a máquina fotográfica no mesmo lugar e foi curtir a festa.
 
Uma semana após, fotos reveladas e a galera reunida para vê-las; Luisinho aparece e faz a pergunta comprometedora:
 
- E ai? Queimou alguma foto?
 
 
Paulo Rubens Gimenes, publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca
 

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