Nascida em mim

Por: Hélio França

Nunca a tinha visto, mas imaginava o vento falando aos teus cabelos, enquanto caminhavas em minha direção pisando delicadamente sobre um chão de desejos, vestida com a lembrança dos beijos que nossas bocas ainda desconheciam. Vislumbrei-a mais próxima que o próximo horizonte, o qual presumi estar apenas ao alcance dos meus olhos. Sabia que haverias de chegar como chega o rio ao mar, sem parar, sem parar ... misturando as águas, as brisas, as espumas e tempestades, a calmaria e as ondas encapeladas, os verdes e os azuis turquesas, o sol e a chuva, as transparências e os mistérios ! 
 
Inundarias minhas mãos ávidas dos teus contornos e elas ficariam úmidas do calor das tuas vontades. Nunca a tinha visto, mas sentia meu coração galopando e um relâmpago a ribombar nas entranhas da minha alma. Sim, virias em algum momento dessa eternidade cruel, composta pela cegueira de não te conhecer ! 
 
Arrebataria teus sonhos com a força bruta dos vendavais e a faria dormir nas noites serenas do outono. Sabia que existias porque te procurava, porque te sonhava, porque te desejava, e um dia eternizá-la-ia na sede dos meus olhos e na ânsia das minhas mãos. 
 
Gritarias com todas as forças para permanecer no meu abraço, beijarias com todos os beijos para não sair da minha boca, ficarias assim, voluptuosamente febril, percorrendo caminhos que te levariam a todos os lugares possíveis e imagináveis. Assim eu sonhava, e assim despertei um dia, para viver a infinita felicidade na paz do teu amor, mulher. Talvez porque, sem nunca tê-la visto, já te amava ! 
 
Hélio França, engenheiro e membro da Academia Francana de Letras

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