Demagogia

Por: Chiachiri Filho

O pensamento político grego classificava os regimes em monarquia, aristocracia e democracia. A forma degenerada da monarquia ( governo de um só ) era a tirania; a da aristocracia ( governo de um grupo seleto ), a oligarquia; a da democracia ( governo de todos ), a demagogia ou a anarquia. 
 
Pois  bem, prezado leitor! Ao assistirmos os horrorosos programas eleitorais transmitidos pela rádio e pela TV, concluímos, sem nenhuma dúvida, que estamos vivendo em pleno período da demagogia. Demagogia barata, descarada, acintosa.
 
Todos os partidos, sem exceção, defendem a reforma  eleitoral, a reforma tributária, o aumento de verbas para a educação , para a saúde, para segurança pública. Todos reivindicam a melhoria dos serviços públicos, a diminuição da burocracia, a ampliação das cotas, o aumento do salário mínimo, o combate sem tréguas à corrupção. Todos  abrem-se   à participação dos jovens e das mulheres, forte  e decisivo contingente eleitoral.
 
Na verdade, o horário político eleitoral não passa de uma obra de ficção. Mágicos ilusionistas pretendem enganar-nos com sua  velha facúndia.A reforma tributária não sai porque os empresários querem muito menos impostos, o governo federal quer muito mais impostos, os governos estaduais e municipais não abrem mão de seus impostos. Diante do impasse, o melhor é engavetar a reforma.
 
A reforma política não sai porque os políticos não pretendem perder o seu cargo, o seu mandato. Voto distrital? Para quê? Para dar voz e voto a um insignificante político de algum arraial? Nada disso! O melhor é deixar as coisas como estão.
 
O prezado leitor já  observou a legislação que  regula a propaganda eleitoral?  É draconiana. Limita, por todos os meios possíveis, a livre expressão do candidato. Foi feita para favorecer aqueles que estão no poder e dele não largam nem a pau. 
 
Enfim, prezado leitor, o programa eleitoral não serve para nada. Não tem nenhum objetivo educacional ou pedagógico. Faltam coragem e personalidade aos nossos políticos. É por isso que vem ano e vai ano, vem eleição e vai eleição sem mudança alguma.  Tudo permanece como dantes: o mesmo marasmo, a mesma ineficiência, as mesmas falcatruas.  E ainda chamam os jovens e as mulheres para participarem da grande encenação. Se os chamam, não é para entregar ou dar-lhes uma pequena parte do poder. É, simplesmente, para enquadrá-los, controlá-los, manipulá-los e, em suma, usá-los  como   massa de manobra.  Não caiam nessa, jovens e mulheres da minha pátria.  Exijam o direito de decidir, de escolher, de ser candidato. Exijam o direito de mudar. Exijam um país mais honesto, mais verdadeiro, mais justo, mais livre.
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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