O segredo de uma caixa de lichia

Por: Shirley Machado de Oliveira

As coisas trazem em si mensagens e convites. Outro dia fui ao mercado, a procura de frutas.  Amo comprá-las, sinto-me em paz com a natureza. Lá encontrei uma caixa cheia de lichias, vermelhas, bem postas e limpas. Algo perfeito. Peguei a caixa: Maria adora. Mas, num instante, lembrei-me de um lugar, um sítio de um amigo querido (Ditinho) onde há um pé da fruta, radiante. Imaginei-me lá, chupando lichia a sombra de sua silenciosa doação. Meu coração esquentou-se e me alegrei. Larguei o pacote, fui ao Sítio e chupei lichia por toda uma tarde chuvosa de sábado. Aquela caixinha me levou a um discurso escondido, em como podemos escolher algo limpo e pronto, com menos verdade e magia. Em como aceitamos um parte pequena das sensações e deixamos de lado o real, muitas vezes amargo ou picante. Não sou contra comprar lichia em mercado, sou contra comprar sombras. A vida é sempre maior e mais colorida que seus reflexos.
 
 
Shirley Machado de Oliveira, analista da Promotoria de Justiça de Ibiraci

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