Deixem a gordinha em paz

Por: Chiachiri Filho

Corre por aí, no anedotário político nacional, um caso  muito interessante.  Certo eleitor, precisando muito de um emprego, procurou a ajuda de um deputado para o qual tinha trabalhado nas últimas eleições.  O deputado recebeu-o com muita simpatia e cordialidade e foi logo perguntando o que desejava.
 
O eleitor, muito humilde, declarou:
 
-Estou precisando de um emprego, doutor.
 
O deputado, com a maior solicitude possível, disse ao seu eleitor:
 
-Pois já encontrou. Vou nomeá-lo  ministro.
 
O correligionário, com toda a humildade do mundo, recusou:
 
-Não, deputado. É muita coisa pra mim.
 
-Então vou nomeá-lo secretário de algum ministro.
 
-Ainda é muito pra mim, deputado.
 
-Então vou indicá-lo para assessor de algum ministro.
 
-Também não, meu caro deputado. O que eu queria mesmo é um carguinho de agente  administrativo, professor ou escriturário.
 
 
Desalentado, o deputado declarou:
 
-Aí você me complica. Para esses cargos você precisa ter diploma,  prestar concurso de títulos e provas,e, para completar, passar por um rigoroso exame médico.
 
Recentemente, o governo do Estado promoveu concurso para preenchimento de vagas no magistério paulista. Milhares de candidatos, devidamente formados em escolas de nível superior, prestaram os exames.  Muitos passaram e foram fazer os rigorosíssimos exames médicos.  Reviraram os candidatos de cabeça para baixo a fim de descobrir alguma doença oculta  e não declarada.  Uma candidata gordinha, bem gordinha, parece-me que de São José do Rio Preto, passou em todas as provas. Fez todos os exames médicos (visão, audição, pulmão, mamografia, etc, etc ).  E nenhuma doença foi constatada, nem sequer tendências à alucinação  ou  loucura. Porém, ela não foi considerada apta pela perícia por causa da sua obesidade, isto é, dos seus 115 quilinhos. 
 
Enquanto negros, deficientes, índios, pobres têm suas sagradas cotas, os gordinhos  e gordinhas são sumariamente cortados.
 
Ora, prezado leitor! Chega, basta de discriminação, de preconceito de exclusão maldosa e deliberada. Deixem a gordinha dar as suas aulas em paz!
 
Já é tempo dos gordos se unirem.  Portanto, lanço aqui o meu grito de protesto:
 
- Gordinhos de todo o mundo: uni-vos!
 
E não se esqueçam desse outro:
 
-Gordinhos, unidos, jamais serão vencidos.
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras