Revolta na mente

Por: Chiachiri Filho

Semanas atrás, em Franca, foram apreendidas duas meninas por assaltarem um posto de gasolina.  Armadas de facas, exigiram do frentista o dinheiro que estava no caixa, não mais do que 400 reais. 
 
Indagada pela reportagem sobre os motivos do assalto, a mais velha, de 17 anos, declarou:
 
-Foi revolta na mente.  
 
A mais nova, de 15 anos, questionada se iria usar o dinheiro do roubo para comprar roupas, disse:
 
- Que nada! Roupas eu já tenho o suficiente.
 
Insistindo, o repórter perguntou à adolescente se ela não tinha receio de perder a sua liberdade.
 
Entre risadinhas, a menina respondeu:
 
- Será por pouco tempo. Logo, bem depressa, cantará a liberdade.
 
Portanto, prezado leitor, as meninas não estavam preocupadas, amedrontadas, envergonhadas ou desmoralizadas.  Não era o seu primeiro assalto e só lamentavam terem sido pegas pela polícia.  Não tinham remorsos, escrúpulos ou algum sentimento de culpa.  Para elas, tudo aquilo não passava de um  acontecimento normal. Corriqueiro, banal.  
 
Sinceramente, prezado leitor, as declarações dessas meninas deixaram-me chocado, escandalizado, abismado e desesperançado. O que poderemos esperar dessas adolescentes? Será que a Fundação Casa conseguirá reeducá-las se nem mesmo as instituições especializadas ( as escolas de primeiro e segundo graus )  e o próprio berço lograram êxito? O que será que se pode esperar dessas meninas? Nada, absolutamente nada: nem boas filhas, nem boas mães, nem boas esposas. Não se pode esperar nada de quem só traz  a “revolta na mente” e a certeza absoluta da impunidade. 
 
As quadrilhas que matam, roubam, sequestram, estupram e depredam são formadas, em muitos casos, por adolescentes que deixaram de ser comandados pelos bandidões e passaram a agir por conta própria.  Está surgindo uma geração que não respeita a lei, que detesta a ordem e que se deixa levar, leve e solta, pelos seus instintos criminosos.  Basta! Chega de empurrar o lixo para baixo do tapete vermelho. A questão precisa ser enfrentada com coragem. Enfrentada e resolvida sem as delongas de intermináveis reuniões. Neste país dos coitadinhos, o maior coitado é o comerciante, o trabalhador, o pagador de impostos que são assaltados e mortos por causa de uma ninharia qualquer. No Rio de Janeiro e em outras capitais, já estão espancando esses menores bandidos e amarrando-os nos postes de iluminação. Sem dúvida, a solução não é essa. Realmente não é. Porém, se os governos continuarem em suas  prolongadas elucubrações  ideológicas, fatalmente a lei de Linch será cada vez mais aplicada. Cansado de sofrer  a ação dos criminosos,  o povo acabará, sem sumário de culpa ou processo legal, prendendo os bandidos e executando a sentença  por suas próprias mãos.
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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