Vai lá que tem

Por: Farisa Moherdaui

Seria mesmo uma relojoaria? Pelo menos é o que indica o escrito na porta de entrada do acanhado estabelecimento. Mas quem passa porta adentro encontra ali muito mais que relógios. São bacias, baldes, tesouras, tintas, canetas, cabides, bijuterias, vassouras, pilhas para rádio, pilhas para aparelhos auditivos, calculadoras, chinelos, cadeados, lâmpadas e muito mais. Além de relógios, porque ali é uma relojoaria, né?
 
Importante também é aquele que promove todo o movimento, todo o trabalho de maneira gentil e organizada. É o proprietário da relojoaria e também o consertador de relógios que por vez parece desaparecido em meio a toda a mercadoria, mas que no momento certo deixa o binóculo, as molas, os parafusos para atender a freguesia. Para comprar ali, nem é preciso muito dinheiro, mas exige  paciência ao freguês para encontrar o que precisa, mas com certeza sempre acha.
 
E naquele dia o que ela procurava era uma vassoura que fosse macia, espessa e por um bom preço. Foi na relojoaria onde tem de tudo que achou e comprou a vassoura pelo preço de seis reais apenas. Depois, mais para o fundo da loja, numa vitrine simples, alguns vistosos relógios e ela se encantou com aquele grandão, amarelinho, reluzente. O preço, doze reais, só doze reais.
 
Feliz da vida, fez as contas. O relógio, doze reais; a vassoura,seis. Com  pagamento à vista, a compra até merecia um desconto. Feita a  proposta, negócio fechado. Foi quando ela se lembrou de perguntar a marca do relógio, o que o relojoeiro não soube explicar. Mas garantiu que o amarelinho e reluzente até podia competir com o famoso “Sheiko” ou mesmo um “Rolex” legítimo.
 
Então a marca, deixa pra lá. Ponteiros acertados, o cabo da vassoura torto, mas depois ajeitado, e ela como boa freguesa a recomendar:
 
- Você aí que anda precisando de algo difícil de encontrar, vai lá na relojoaria que na verdade tem de tudo. É procurar e achar.
 
Vale a pena, tá?
 
 
Farisa Moherdaui, professora 
 
 

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