Temporada de caça ... aos gordos

Por: Chiachiri Filho

Estamos vivendo uma época de penúria e trevas.  Estamos vivendo um período de “caça às bruxas” ou  (muito pior! ) caça aos gordinhos.
 
Primeiro a gordinha, devidamente aprovada em concurso de títulos e provas, que  foi impedida de  tomar posse  no seu carguinho de   professora em alguma escola pública do Estado de São Paulo por causa de sua obesidade. 
 
Recentemente, foi um gordão ( 130 quilos bem pesados! )  impedido de assumir um cargo de enfermeiro, apesar de também ter passado num concurso público de títulos e provas.  
 
Aonde vamos parar, prezado leitor?! Não dá mesmo para aceitar essa discriminação odiosa.  Que mal fizeram os gordinhos para sofrerem tanta perseguição? Poluem o ar com a fumaça do tabaco? Traficam drogas, usam cocaína? Promovem distúrbios sociais? Afrontam a sociedade e os bons costumes com suas loucuras? Nada disso! A única acusação que se pode fazer a um obeso está no fato  de ocupar um lugar maior no espaço.
 
O gordo é um ser essencial à sociedade. Ele é alegre, cordial, festivo, satisfeito com a vida. Ele anima todos os ambientes. O prezado leitor já viu um gordo mal humorado? Só quando lhe retiram  ou lhe negam lhe um prato de comida?  O gordo é um ser pacífico que sabe saborear as delícias da vida. Você já viu  um gordo rebelde, revolucionário, líder de manifestações  populares? Só depois de assumir o poder, só a partir daí eles ficam obesos. Já há um certo tempo, venho observando um movimento cruel e desumano contra os gordinhos.  O tipo ideal de beleza, em nossos tempos, é a caveira: mulheres sem bunda, sem peitos e sem graça. Para os homens é a figura de um “deus grego”: alto, musculoso, simétrico, indiferente e sempre com um olhar  de mariposa insaciável. 
 
Não, prezado leitor, o gordo não é um monstro. Ele também tem suas belezas: o sorriso, a pele, o andar, o olhar cobiçoso. Até há bem pouco tempo, o gordo  era um ser invejável. Representava a abundância,  a fartura, a prosperidade.  Até a civilização chinesa, cantada e venerada em nossos dias, afirmava que a sede da inteligência estava na barriga. E está mesmo! Quem não come não pode pensar. Como vivemos numa sociedade condicionada pelo fator econômico, penso que, por trás dessa campanha odiosa contra os gordos, estão os laboratórios de produtos  dietéticos, os fabricantes de confecções padronizadas,  os médicos  magricelas  autoritários e invejosos  etc, etc.
 
Dizem que a gordura é a causa de quase todas as doenças. Mas, o que importa? Morrem gordos e magros todos os dias.  Pelas minhas estatísticas morrem mais magros do que gordos. Da morte ninguém escapa.  Portanto, prezado leitor, o que você prefere? Morrer comendo uma  gorda e suculenta feijoada ou morrer de fome?
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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