Corredor úmido e escuro

Por: Tânia Liporoni

Depois de anos trabalhando o assunto, lido melhor com o tema separação. Uma cicatriz que fica lá, por vezes, adquire cor avermelhada e dói. Aprendi a colocá-la em um lugar separado da mente, só dela, e, busco sempre uma boa dosagem de atenção para tratá-la: nem muito, nem pouco. Apenas,  uma quantia suficiente. Difícil encontrar tal medida? Sim. Mas ninguém falou que seria fácil.  Porque, se pequena a atenção, feita sem confrontar o sentimento, pode caracterizar fuga. Do contrário, se muita, é autopiedade. Impressiona pensar no quanto esse tema nos invade cotidianamente, às vezes em maior ou menor dose. Lidar com a separação de pessoas queridas, de modo temporário ou definitivo, é experiência que está presente na vida com frequência. Faz lembrar da angústia humana, da finitude – qualquer separação é uma finitude em si. É preciso saber viver com as dores da alma. Todos temos, e, algumas, duram a vida inteira. Traz a solidão em evidência. Se, não se sabe lidar bem com ela, a solidão,  é possível que se torne ainda mais difícil lidar com a separação, e,  colocá-la em local isolado da mente. É ter autopiedade ou fugir. Quem sabe, melhor sair correndo.
 
 
Tânia Liporoni, advogada e autora de Parceria de Um e Pega-me. Membro da Academia Francana de Letras
 
 

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