Daimonic

Por: Janaina Leão

Costurei teu nome no cu do sapo. Fiz trabalho de desamarração pro teu amor não voltar. Troquei seu presente de aniversário por fichas de sinuca e perdi deliciosamente todos os jogos sem ser criticado por você! Cortei aquelas gravatas ridículas que não me compõem em nada e toquei fogo nas suas pinturas, nas tuas receitas de comida Vegana você sempre fazia questão de lembrar que havia um defunto no meu prato! Passei super bonder naquele meu troféu do futebol que você sempre tirava do lugar e escondia atrás dos teus porta-retratos. Deixei toalha molhada na cama, roupa espalhada por toda casa, comi desregradamente por três dias seguidos, bebi e fumei a la Bukowsky e reguei todos os dias os meus bonsais, que você odiava por sentir que eu dava mais atenção para eles. Hoje andei descalço e dormi com os pés sujos. Troquei a Bossa pelo Swing. Tive um caso com a vizinha confesso: a negra que você não gostava e sua melhor amiga... bom, é um outro caso. Nosso amor involuiu para o desespero das canoas furadas longe das margens. Foi por isso que te abandonei numa encruzilhada, para que você escolhesse outro caminho que não pisando/pesando seu corpo sobre o meu, em kilos/nós que eu já desatei. Manhã raiou, e minhas fichas acabaram. Já te traí pensando em mim somente, semente. Eu escrevi teu nome na areia: do gato.
 
Janaina Leão, psicóloga
 

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