O que faltou dizer sobre Alexandre Ferreira

Por: Sônia Machiavelli

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A quarta-feira, 23, mostrou-se duplamente acinzentada para mim. Às nuvens de chumbo que se formavam ali pelos lados do prédio da Prefeitura juntaram-se comportamentos sombrios que me deixaram perplexa em relação ao tipo de pessoa que o povo de Franca elegeu pra governar nossa cidade. Que Alexandre Ferreira se mostrava a cada dia mais avesso a qualquer crítica, incapaz de conviver com a diversidade de opiniões, afeito a um estilo marcado por atos ditatoriais travestidos de burocráticos, eu sabia. Que fosse violento, vil e vingativo, eu ignorava.
 
Violento ele se mostrou na forma como se conduziu em relação ao projeto Jornal Escola, que criamos há mais de duas décadas e ganhou, ao longo dos últimos anos, grande visibilidade graças a parcerias eficientes com as educadoras Maria Ângela Freitas Chiachiri e Roberta Rubio; ao entusiasmo de coordenadores e professores que acreditaram em nossa causa; ao apoio sempre integral de Leila Haddad Caleiro, secretária de Educação nos dois governos de Sidnei Rocha, e Ivani Marchesi, dirigente de Ensino, educadoras de excelência e mulheres de espírito independente, a quem, tenho certeza, repugnariam quaisquer tipos de censura. E, claro, graças também ao respeito dos prefeitos que se sucederam no cargo desde os anos 80: Maurício Sandoval Ribeiro, Gilmar Dominicci, Sidnei Rocha. Eles não só acolheram nosso trabalho pioneiro na cidade e região com jornal na sala de aula, como fizeram questão de nos dar a mão em cada momento decisivo para o crescimento do programa. Todos, enquanto figuras públicas, foram criticados inúmeras vezes pelo Comércio da Franca, mas em nenhum momento acenaram com a hipótese de solapar nossas ações ligadas à educação. Foi portanto com incredulidade que recebi a notícia, na tarde da última quarta-feira, de que em reunião realizada com a servilíssima secretária Fabiana Sampaio, e suas gestoras, Alexandre Ferreira cancelara a parceria com o GCN. Sem uma linha de explicação, sem uma mensagem de e-mail, sem um til de agradecimento pelo trabalho que desenvolvemos com os professores, e bem ao estilo tosco, grosseiro e grotesco que já o define de forma irrecorrível, o prefeito vetou a presença dos professores da rede municipal de ensino, aguardados naquela noite no auditório ‘Jornalista Correa Neves’. Há violências assim, que prescindem de armas físicas.
 
Vil ele se desvelou ao prejudicar crianças que nada têm a ver com seu propósito fascista, ao fazer uso dos estudantes para demonstrar arrogância e desagrado pela forma como é criticado em nosso noticiário. Deve desconhecer completamente o preceito máximo do jornalismo que é incomodar o poder, caso contrário aquele se torna crônica social ou de costumes. E imerso em ressentimentos, preferiu ignorar, ou talvez sequer tenha de fato enxergado, o valor do conjunto de atividades desenvolvidas nas oficinas, salas de aulas e visitas ao prédio do GCN e sua consequente importância no desenvolvimento lúdico, criativo, ético e crítico de alunos, acolhidos pelo programa que cresceu a ponto de ser considerado por Ana Gabriela Borges, educomunicadora pertencente aos quadros da ANJ (Associação Nacional de Jornais), ”um dos melhores do Brasil“. Palavras da jornalista paranaense na abertura da edição 2014, no dia 13 de março.
 
Vingativo é o melhor adjetivo que encontro para desenhar de forma mais precisa a atitude de um prefeito que pode ser temido pelos mais fracos, como secretários que são vacas de presépio e cuja contribuição ao desenvolvimento da cidade até aqui foi nula; ou como vereadores que não têm de seu próprio cargo uma noção de significado, valor e acreditam que seu papel seja o de assistirem impassíveis a estultícias oriundas de um Executivo que se nega a dialogar com segmentos comunitários. Mas não pela maioria dos moradores de uma cidade como Franca, que, bem maior que um secretariado ou meia dúzia de vereadores, não se deixa apequenar. 
 
Movido por sentimento de vingança, por ter seu nome constantemente associado a trapalhadas administrativas nas páginas do jornal Comércio da Franca, e olhando todos os que o contraditam como inimigos a serem eliminados, Alexandre Ferreira usou a força do cargo para tentar impedir o funcionamento do nosso projeto, o que não conseguirá. Mas ainda pior do que isso foi roubar nossa ideia e nossa execução, dizendo ao repórter Marcos Silva, na quinta-feira, poucas horas depois de vetar a presença dos professores no GCN, que vai produzir ”um projeto nos mesmos moldes“. Haja despudor e cinismo!
 
Se não bastasse ser violento, vil e vingativo, o homem ainda é plagiário, usurpador de ideias alheias. Nada criativo, não há que se esperarem senão cópias mal feitas de projetos cujos originais funcionam bem. As versões que Alexandre Ferreira muitas vezes empreende acabam se mostrando arremedos mal sucedidos, quando não fracassados, pois até para copiar ele se mostra incompetente. E a população que se dane frente a tanta fragmentação, esse princípio do mal.
 
Diante de tudo o que foi exposto até aqui, resta manter a esperança de que os próximos trinta e dois meses passem rapidamente. Porque embora o próprio Alexandre Ferreira pareça ignorar, o cargo é perene, mas a função é finita. Graças a Deus. 
 
 
Sônia Machiavelli,  professora, jornalista, escritora

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