Mãe

Por: Farisa Moherdaui

Lembrar a minha mãe é falar, rir e até chorar com ela, mesmo não estando mais juntas, pois que há muito tempo ela se foi a morar com Deus, lá do outro lado da vida. Chego a pensar que todas as mães deveriam ser eternas pois assim o mundo teria muito mais beleza, alegria e paz e as pessoas seriam muito mais felizes.
 
Minha mãe, eu a vejo em todos os meus momentos. Nos pingos d´água da chuva como as lágrimas que algumas vezes eu vi brotar dos seus olhos; a sua voz suave, misturada à voz do vento que passando levava para longe os presságios e  mazelas; a rigidez da haste da roseira, comparada a toda a energia da  minha mãe, quando na educação que transmitia aos seus filhos; a doçura da fruta sazonada tal como as doces palavras que a minha mãe empregava, ainda que em ocasiões difíceis.
 
A mãe que amava as plantas do seu quintal, principalmente o manjericão e o alecrim. O manjericão ela colhia e usava nos temperos dos quitutes que, segundo ela, ficavam mais saborosos. O alecrim, me lembro, deixava um perfume suave nas mãos delicadas da mãe quando cortava as ramas douradinhas levando-as para dentro de casa espalhando-as em vasos delicados.
 
E durante essa colheita minha mãe cantarolava assim: “Alecrim, alecrim dourado/ que nasceu no campo/ sem ser semeado” e eu, junto dela, completava a canção: “Foi meu amor /quem me disse assim/ que a flor do campo/ é o alecrim”...
 
Hoje, aqui na Terra, é comemorado o Dia das Mães e da minha mãe são todos os meus dias e toda a minha saudade.

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