É por debaixo dos panos

Por: Chiachiri Filho

Há quem defenda o financiamento público das campanhas políticas, isto é, o uso do dinheiro suado de nossos impostos, no custeio da propaganda e divulgação dos candidatos a cargos públicos. Alegam que, dessa maneira, evitar-se-ia o abuso do poder econômico na escolha dos representantes do povo para o Legislativo e Executivo.
 
Há outra corrente favorável à limitação do financiamento das campanhas, isto é, somente as pessoas físicas poderiam fazer doação aos candidatos.  A alegação é a mesma: fiscalização e controle do uso e abuso do poder econômico nas eleições proporcionais e majoritárias. 
 
Há ainda aqueles que defendem a liberação geral do financiamento desde que  quem doou e quanto doou seja rigorosamente contabilizado e esteja à mostra para que o eleitor saiba quem está ajudando o seu candidato e esperando o troco. 
 
Na verdade, a corrupção começa com as campanhas políticas.  O leitor tem a noção de quanto se gasta na eleição de um Deputado, um Senador da República, um Presidente da União, um Governador de Estado? São milhões e milhões de reais. Em alguns casos, gasta-se tanto que nem se o cargo fosse vitalício daria para cobrir os custos da campanha. A pergunta que não quer calar é a seguinte: sabedor de que os subsídios do cargo pleiteado são irrisórios perante as despesas de uma campanha, por que alguém lança seu nome numa desgastante e até desmoralizante disputa  política? Evidentemente, ainda há pessoas idealistas, pessoas com espírito público preocupadas com o desenvolvimento de seu país e de sua comunidade.  Além de muito poucos, eles estão diminuindo cada vez mais e perdendo a disputa para aqueles que se especializam em captar vultosas doações. 
 
Antigamente, bem antigamente, quando foi criada a Câmara da Vila Franca, ninguém queria ser Vereador. O cargo de Vereador, considerado como um ônus público, não era remunerado e quem faltasse às reuniões da Edilidade podia pagar multa e até ser preso. O cargo mais interessante, verdadeiro objeto de desejo, era o de Juiz (que também era eleito pelos cidadãos). Como as coisas mudaram, não é mesmo?Hoje em dia, as listas de candidatos apresentadas pelos partidos políticos são intermináveis. Todos querem um lugar ao sol, ou melhor, uma teta gorda do governo para se fartarem.
 
Voltando à questão do financiamento das campanhas, tanto faz que elas sejam privadas ou públicas. Pergunto ao caro leitor: quem é que consegue controlar o caixa 2, o caixa 3, o caixa...? É muito difícil controlar e evitar a bandalheira num país em que as coisas mais importantes e vergonhosas são sempre feitas por debaixo dos panos.

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