O amor que não morreu

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Enquanto caminhava, próximo a uma faculdade, ela o viu, casualmente, descendo do carro, com livros sob o braço, e um encantamento a envolveu. Ele percebeu sua forte e bela presença e sorriu. Cidade pequena, um novo encontro foi o bastante para que algo, que foge das explicações possíveis, o amor, criasse neles vínculos afetivos muito fortes. Foi um tempo de descobertas, de emoções abrasadoras, de sentimentos maiores do que a razão. Ele admirava sua beleza, suas qualidades, conhecia seus desejos e expressava sua afeição em composições poéticas com requinte cultural. Vencida em suas inseguranças, percebeu que a importância deste homem em sua vida só aumentava. A bonita e vigorosa imagem dele fulgurava em sua mente. Aquela sensação era mais forte do que ela. Esperava ansiosamente pelos momentos que passariam juntos. Viviam dias de enlevo. Uma história comum, mas única.
 
Passados alguns anos, começaram a se desentender. Pensamentos contrários, cobranças e competição, a ruína de muitos relacionamentos amorosos. Pequenos deslizes, falas impróprias levavam a ferrenhas discussões que deixavam rastros de rancores. Como pode um amor tão forte ser sufocado por incompreensão e orgulho? E o que ninguém esperava, nem mesmo eles, aconteceu. Separaram-se, não se viram mais, nem se falaram. Ambos sofreram na mesma intensidade com que se amaram, mas a implacabilidade do tempo atuou para que refizessem suas vidas. Ele mudou-se para um centro maior e desenvolveu produtiva carreira, conforme sempre desejara. Ela esmerou-se em sua profissão e reinventou a vida que lhe restara. Uniram-se a outras pessoas, superando a angustiosa saudade em suas vidas.
 
Um rápido e fortuito reencontro, no aeroporto, revelou a eles que nada muda no amor. Aquele instante, em que eles se saudaram e conversaram poucas palavras, levou-os a retroceder ao momento em que se perderam e a reviver os mesmos sentimentos inflamados de outrora. Uma brisa suave de primavera soprou perto deles e levou aquela emoção embora. Despediram-se, ainda um pouco abalados, e foram em frente.
 
 
Maria Rita Liporoni Toledo, professora
 
 

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