Mãos que abraçam

Por: Hélio França

A magnitude dos atos que um ser humano pode realizar em prol de outras pessoas não está necessariamente na divulgação ostensiva das ações realizadas, encontra-se, às vezes, refletida num simples olhar agradecido de uma criança carente ou de um adulto que não teve oportunidades maiores durante a vida. 
 
Felizmente existem cidadãos, poderosos ou não, financeiramente falando, que se preocupam em realizar aquilo que os governos executam de um modo “faz de conta”. Em Franca mais precisamente existem inúmeras pessoas imbuídas de ações solidárias, e não cabe aqui  nomeá-las, mesmo porque quem faz verdadeiramente o bem, faz de coração e não por obrigação. 
 
Mas podemos elencar, e não é segredo para ninguém, os casos das creches, do Jornal Escola do GCN, projeto educacional de trinta anos que mantém parcerias com escolas estaduais e particulares oferecendo oficinas pedagógicas, dos asilos para idosos, da APAE, de diversas ONG’S e várias outras instituições beneficentes sócio-educacionais  e artísticas! 
 
São centenas de pessoas envolvidas em filantropia, anônimos, particulares ou não, clubes de serviços e entidades como Lions Clube, Rotary, Lojas maçônicas, Instituições religiosas, etc etc. 
 
Do poder público mesmo, que podíamos esperar muito, salvo raras exceções, quase nada ! E quando o faz, é como se fosse por obrigação ou para obter dividendos políticos. Não fossem as mãos que abraçam dessas pessoas idealistas e de bons princípios, participantes das entidades acima citadas, as menos favorecidas viveriam o caos, à beira do abismo social, para não dizer no fundo do poço ! 
 
A generosidade, a vontade de ajudar o próximo sem visar qualquer retribuição, seja de que forma for, é virtude própria de seres humanos comprometidos com a racionalidade de um caráter distinto e imutável, nobre e guerreiro. 
 
Num país como o Brasil onde convive uma miscelânea de raças e credos, onde o dinheiro, como a água dos reservatórios, se esvai pelos ladrões ( literalmente ) dos cofres públicos alimentando a corrupção que assola esta terra de Santa Cruz, podem e devem se considerar heróis os agentes empreendedores de entidades beneficentes, os quais, às vezes, mesmo tendo de nadar contra a correnteza dos insensatos e insensíveis, conseguem vencer o caudal de omissão e arrogância formado por homens que detêm o poder com a caneta cheia e a alma vazia. 
 
Eu diria que não basta ter mãos, é preciso abraçar ! 
 
 
Hélio França, engenheiro e membro da Academia Francana de Letras
 
 

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